Reinserir - Projeto de integração Local para reinserção social do usuário de drogas
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Novo estudo retoma discussão sobre a descriminalização do uso de drogas

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Segunda, 18 de junho de 2018.

UnodcA divulgação de um novo estudo sobre consumo de drogas e o tema do Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril - “Saúde para todas e todos. Em todos os lugares” – retomaram o debate sobre a descriminalização do uso de substâncias consideradas ilícitas. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) acompanha o assunto por meio do Observatório do Crack e reconhece que as discussões são recorrentes e envolvem diversas posições e pesquisas, mas estão longe de uma conclusão.

Recente estudo vem para contribuir com o tema. A pesquisadora Yvonne Terry-McElrath, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, liderou uma análise sobre os padrões de consumo de maconha com aproximadamente dez mil usuários, que relataram suas experiências com drogas dos 18 aos 50 anos, desde 1976.

Intitulada “Monitorando o Futuro”, a avaliação concluiu que o uso de maconha está relacionado ao desenvolvimento de problemas de saúde no decorrer da vida em comparação com quem não consome a droga. Os pesquisadores identificaram duas categorias principais de usuários: uso moderado, com 71% dos participantes, e uso abusivo, com 29%. Das duas categorias, surgiram seis subdivisões, que vão do “uso decrescente ou interrompido aos 21/22 anos” até “uso abusivo e contínuo aos 50 anos”.

Relação com a saúde
Com as informações sistematizadas, os resultados apontaram que todos os padrões de uso estavam associados com atendimentos psiquiátricos recentes ou problemas psiquiátricos até os 50 anos. Além disso, padrões de uso persistentes relacionavam-se a dificuldades cognitivas dos usuários, doenças físicas e problemas com uso de álcool até os 50 anos.

Apesar de não ser possível afirmar que a utilização da Cannabis necessariamente seja a causa dos problemas de saúde dos usuários, existe uma correlação com o fato, pois, dentre os participantes, os que fizeram uso persistente da droga reportaram níveis maiores de problemas de saúde. Tais dados permaneceram mesmo após a aplicação de controles demográficos e de características comportamentais.

Proibição
O artigo em questão alerta para o fato de que alguns participantes do estudo tinham uma faixa etária que permitiu o uso de ilícitos em períodos em que as políticas de proibição ao consumo de drogas eram extremante rigorosas. A constatação teria gerado o questionamento de um quadro com o consumo de mais substâncias sendo liberado, como o que está acontecendo atualmente em diversos países.

A pesquisa provoca a reflexão se, nestes locais, existirá o risco de o consumo de maconha tornar-se similar ao de álcool, trazendo consigo todas as consequências negativas conhecidas pela sociedade e também pela medicina. O exemplo do tabaco e do álcool, substâncias legalizadas que provocam dependência química, geram transtornos mentais e físicos e os prejuízos causados à vida dos usuários e também ao sistema de saúde pública são significativos.

A preocupação dos pesquisadores e dos estudiosos contrários à descriminalização da maconha perpassa a própria promoção à saúde, que não se trata apenas da oferta de tratamento (depois que a dependência está instalada), e sim a prevenção. A CNM lembra que o papel dos governantes e também de especialistas em saúde é garantir que a promoção de saúde, a prevenção e o tratamento cheguem a todos.