Reinserir - Projeto de integração Local para reinserção social do usuário de drogas
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Pesquisa apresenta perfil de dependentes químicos no maior local de consumo de drogas em São Paulo

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Quarta, 26 de fevereiro de 2020.

Rovena rosa Ag BrasilA maior cena de uso de drogas no país, conhecida como cracolândia – ou a terra do crack –, foi objeto de estudo da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo os dados publicados, aproximadamente 1.680 pessoas utilizam entorpecentes diariamente na localidade e gastam, em média, R$ 192,50 por dia com a droga. Ou seja, mensalmente, o tráfico arrecada R$ 9,7 milhões ali. O levantamento, por meio de entrevistas com 240 pessoas, promoveu ainda contagem da população habitual do lugar.

Controlado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigadores, esse é o maior ponto de venda de entorpecentes do país. As drogas são enviadas para a região por pessoas que utilizam o transporte público, sobretudo metrô, e as carregam em pequenas quantidades em mochilas ou bolsos. Dessa forma, se alguém acabar preso, o prejuízo é minimizado.

Como a pesquisa da Universidade mostrou, 65,3% dos consumidores vivem e dormem no local quase todas as noites, sendo que 41,7% estão morando na rua há cinco anos ou mais. A idade média é de 35,2 anos, 68,7% são homens e 77,5%, solteiros. Em relação à origem, 49,6% nasceram na cidade de São Paulo ou na Grande São Paulo, 33,3% são de outros Estados, 15% do interior e 0,8% de outros países.

As mulheres são 23,7% do segmento de dependentes, das quais 9,7% estavam grávidas no momento da entrevista, e os transgêneros representam 7,5%. Entre os fatores apontados como os principais que os levaram ao local estão a “disponibilidade da droga” (31,2%), a “segurança entre os pares” (20,4%), o “preço” (16,4%) e a “liberdade para o uso” (14,8%). A maioria (87%) diz não ter atividade remunerada, sendo que 79,4% está nesta condição há pelo menos um ano e 52% há cinco anos ou mais.

Quanto às doenças transmissíveis detectadas entre os frequentadores, foram identificadas tuberculose, HIV, sífilis e hepatites B e C. Sobre saúde mental, 58,30% afirmaram apresentar quadros psicóticos, 48,40% praticam a automutilação e 38,2% já tentaram suicídio. Para a coordenadora do estudo, a psicóloga Clarice Madruga, a pesquisa quebra o mito de que a situação na cracolândia é consequência direta de condições sociais. “O frequentador não é, em sua maioria, um ex-menino de rua que caiu ali”, afirma. Isso é baseado no dado de que 78% moravam em sua casa ou com familiares antes de começarem a viver na região e 95% têm algum grau de instrução. “O que existe é uma doença que faz com que alguém inserido na sociedade caia na rua”, afirma. “A causa é o agravamento da doença”.

Um dos principais fatores para o desenvolvimento da dependência, diz a pesquisadora, é a precocidade no consumo de álcool e drogas. Segundo o estudo, na média, os entrevistados começaram a beber aos 11,4 anos e a fumar maconha aos 14,9 anos.

Da Agência CNM de Notícias com informações da Folha de São Paulo